Estaba leyendo www.revistaentrelivros.uol.com.br y me deparé con un reportaje sobre el último libro de esta pensadora francesa que me gusta tanto y que me acabo de enterar es la heredera de la agencia de publicidad Publicis.  Lo pego aquí:
 
A invenção do instinto materno
Em Rumo equivocado, a feminista francesa Elisabeth Badinter polemiza com colegas americanas sobre os rumos do movimento

POR MÔNICA CRISTINA CORRÊA

As reflexões da autora partem principalmente do século XVIII. Badinter nota que, naquele momento, surgia uma nova preocupação com a criança e o adolescente, já que temas como a educação entram na ordem do dia. Até então, a criança era considerada quase como “animal” a ser adestrado. À época, foram escritas obras sobre formas de educar, como a de Jean-Jacques Rousseau, Émile ou de l’éducation, constituída de cinco volumes; e no período revolucionário, o trabalho do filósofo marquês de Condorcet (1743-1794), que, entre outras coisas, discutia a necessidade de uma educação popular e da igualdade de direitos entre homens e mulheres.

 
 

Foi a partir do século XIX que as formas do amor materno, tais como são conhecidas atualmente, despontaram. Nesse século, as mulheres passam a viver cada vez mais encerradas em seus papéis de progenitoras: gestação, parto e amamentação resumem sua existência, sem deixar-lhes alternativas ou espaço para outras aspirações. O valor dos cuidados maternos ganha nova dimensão em detrimento da liberdade da mulher.

Baseada em pesquisas sobre o século XVIII, Elisabeth Badinter escreveu Emilie Emilie. O título alude à obra de Rousseau, cujo conteúdo, não obstante, não coloca mulheres em pé de igualdade com os rapazes. O livro de Badinter, numa espécie de resposta à lacuna rousseauniana, propõe analisar a questão da ambição feminina a partir do perfil de duas figuras relevantes no século das luzes, respectivamente madame du Chatelêt, amante de Voltaire, e madame D’Épinay, amiga de Rousseau. Ambas eram “Émilie” (Gabrielle Émilie e Louise Émilie) dotadas de biografias em que a ambição e a independência são marcas essenciais. Isso fez com que escapassem à categoria simplista de donas-de-casa, esposas e mães. Embora as duas grandes damas tivessem passado por essas experiências, puderam, pelo sofrimento, concluir o que os homens – segundo a autora – sempre souberam: que nada é mais importante do que a individualidade. Entre outras questões, vem à tona a idéia de que, talvez, nem todas as mulheres tenham espontaneamente o desejo de ser mães.

Essa discussão, de fato, permeia toda a obra de Elisabeth Badinter. Para ela, a mulher deve sempre perguntar-se sobre se realmente quer ser mãe e em quais condições. Hoje em dia, o problema da maternidade estaria, segundo pensa, mais ligado à divisão dos trabalhos domésticos com o homem. Esse é um dos temas de Rumo equivocado, em que escreve: “Deduzindo-se o feminino da capacidade materna, define-se a mulher pelo que ela é e não pelo que escolhe ser. E não há definição simétrica do homem, sempre apreendido pelo que faz e não pelo que é”. Mas além disso, o livro trata o feminismo com severas ressalvas. As pesquisas que levaram a autora a tal refutação são recentes estudos americanos e franceses. Badinter fala, por exemplo, de uma “violência contra os homens” cometida por mulheres, e cita a agressão física delas contra eles. “A mulher atualmente apresentada às jovens gerações é como uma criança a ser protegida, incapaz de se defender. Ora, a imagem que o feminismo original deveria dar das mulheres é de conquistadora, forte”, afirma. “Esse tema foi muito abandonado.” E não hesita em apontar as origens desse discurso, a seu ver, falacioso: “Isso veio dos anos 80 e 90, quando as feministas radicais americanas começaram a abordar coisas inacreditáveis”.

Apesar de ser chamada de antifeminista, a autora permanece coerente com suas idéias de igualdade de direitos entre os sexos. Se antes julgara que o amor paterno é algo à altura do materno, é natural que se preocupe também com o papel masculino em vez de fazer a defesa cega das premissas feministas.

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