Lendo o livro de Jean-Paul Sartre sobre a arte de ler, escrever e simplesmente ser um escritor, estou me deleitando com as palavras sempre bem usadas do Sartre.  Menino malcriado da burguesia francesa, obstinado com a leitura e a arte de escrever.  De um certo modo, esse oficio de ser escritor sempre tem sido vinculado à bohemia, ao derroche, ao mundano.  Não só os escritores sofrem com este preconceito, mas todo artista.  É só ver as pinturas de Touluse Lautrec ou algumas do Picasso.  É aquela velha pergunta:  Precisamos viver no submundo para chegar a ser eternos?  Jim Morrison, Virgina Woolf, Joyce.  Só algumas palavras soltas na minha cabeça. 
 
“Um dia em que eu estava lendo, deitado entre os seus pés, em meio daqueles intermináveis silêncios petrificados que êle nos impunha, uma idéia o atravessou, fazendo-o esquecer a minha presença; olhou minha mãe com reproche: “E se êle encasquetar em viver da pena?”  Meu avô apreciava Verlaina, de quem possuia uma seleção de poemas.  Mas acreditava tê-lo visto, em 1894, entrar “bêbado feito um porco” num boteco da rua Saint-Jacques: êste encontro o ancorara no desprêzo aos escritores profissionais, taumaturgos derrisórios que pedem um luís de ouro para fazer ver a Lua e acabam mostrando por cem soldos, o traseiro”.
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