Às vezes fico me perguntando que diabos faço nesse planeta.  Sinto que as pessoas estão ficando cada vez mais longe daquilo que eu chamo de vida prática, sem neuras e sem falsidades.  As coisas que eu assumo como boas e produtivas, ao parecer não o são para o resto dos mortais.  Explico:  ontem e hoje aconteceram dois fatos diferentes mas idênticos no conteúdo.  Ontem tinha uma aula (sim, sábado é um dia para ir ao cinema, certo?) das 15 às 17 horas.  Os estudantes não compareceram.  Não ligaram, não me avisaram.  Fiquei aqui esperando.  Poderia ter aproveitado para fazer uma exfoliação que haviam me oferecido no salão de beleza perto de casa.  Fiquei sem saber se os meus alunos haviam morrido, havia acontecido um acidente no caminho ou se ficaram presos no trânsito (excusa muito comum entre os brasileiros).  Hoje, a mesma coisa.  Fiquei de me encontrar no Ibirapuera (parque, não shopping) para tomar um café da manhã com um casal de amigos.  Cheguei lá mais cedo para procurar a lanchonete Planetário dentro do parque e dizer a eles o portão pelo qual tinham de entrar, já que o parque é imenso.  Liguei para saber onde estavam e o celular estava desligado!  Oh Deus, século 21 ou 18?  Fiquei esperando e eles não compareceram, não ligaram, não mandaram um pombo.  Nada.  E eles não são brasileiros.  São americanos.  Será que esse respeito que eu tenho pelos outros é considerado passé compossé? 
Outro exemplo.  Gosto de fazer carinhos especiais para os amigos.  Paulo e eu sempre preparando coisinhas para agradar em casa.  A maioria aqui no Brasil, não considera isto como um agrado.  Eles até acham…sei lá o que brasileiro acha.  Gostaria de saber.  Essa falta de compromisso e de agradecimento pelo carinho é o que mais me mata entre os seres deste planeta.  Não vou dizer dos brasileiros, porque a experiência tem me ensinado que isto acontece entre todas as nacionalidades. 
Esta semana me disseram que eu não sou gente fina.  Não sou gente fina porque não permito que ninguém mande emails coletivos com o meu endereço no meio de um milhão de pessoas (amigos de confiança, segundo a pessoa que me disse que eu não era gente fina).  Eu não sou gente fina porque não tolero o atrasso.  Eu sempre chego cedo nos lugares e acho que isso demostra o meu respeito pelos outros.  Eu não sou gente fina porque falo NÃO sem constrangimento, graças a Deus.  Isso, para muitos, é uma ofensa.  Eu não sou gente fina por tantas coisas. 
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