Quarta-feira eu tive um contato imediato do terceiro grau.  Não foi com ETs, ou com entidades que baixaram em minha pessoa.  Foi um contato mais direcionado ao coração, capaz de abrir uma cachoeira de sensações.  Quarta-feira eu tive um contato imediato do terceiro grau com a arte da periferia, poesia, cordel, contos, emails, cartas, música, tudo.  O grande poeta Miró da Muribeca, que tenho o orgulho de conhecer, veio participar de um show com o Manu Maltez no Sesc Pinheiros e, como era de se esperar, após o compromisso, ficar uns dias curtindo São Paulo, olhando as pessoas e fazendo arte nesta cidade de 39 milhões de sacos de cimento (como disse Rai, né Míró!).  Hospedado na minha casa, temos nos divertido muito nesses dias.  Como ia dizendo, quarta-feira ele foi convidado do Sarau Cooperifa (Cooperativa Cultural da Periferia), um dos movimentos culturais mais importantes da periferia de São Paulo, que há sete anos reúne um grande número de pessoas da comunidade para a leitura de poemas e literatura.  Não existem regras para participar.  É só chegar, botar o nome na lista e esperar para recitar um poema, ler um texto, comentar uma partida de futebol, surpreender o povo.  Espera ai, disse que não existem regras, mas há uma sim: fazer silêncio (menos para o cachorro de rua que fica nas imediações, latindo para tudo o que passava frente à casa).  Na quarta-feira do contato imediato, foram 50 pessoas, todas talentossíssimas.  Eu nunca tinha visto uma coisa parecida.  Concebido por Sergio Vaz, a Cooperifa é um oasis no meio de uma São-Paulo-lado-B azotada por problemas de transporte, educação, saúde.  É como se a literatura dizesse “estou aqui para salvar vocês” e para dizer que nesse mundo nada é mais prazeroso que uma, duas ou muitas boas doses de arte!  A Cooperifa fica na rua Bartolomeu dos Santos 797, Jd. Guarujá, Piraporinha, indo pela Marginal até a Ponte João Dias, Av. Guido Caloi.  O telefone, 5091-7403.  Essa quarta tem mais, esperando que o Caboclo Maroara (alter ego do Miró) desca em todos nós!
Dica importante: quem vai nos saraus, não pode deixar de pedir o “Escondidinho”, ou carne seca e macaxeira.  É um verdadeiro MUST!
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