Quem é amante do bom cinema sabe quando tem uma obra prima na frente.  Um calofrio toma conta do corpo, uma sensação de estar presenciando algo que não foi feito para muitos, pois não muitos tem a sensibilidade de perceber a beleza no horror, a beleza que emana de algo cruel, difícil de digerir.  A Fita Branca é um desses filmes que faz com que você saia do cinema com o coração batendo mais forte, com vontade de chorar, com perguntas sem respostas, com respostas confusas e finalmente, com a realidade de um passado, presente ou futuro que são fruto dos atos que vemos hoje.  Me declaro fã do Michael Haneke desde Caché.  Essa camera still que faz que cada cena fique mais real, mas verossímil, mas crua.  Algumas partes do filme são quadros que jamais sairão da cabeça.  A cena do menino que entra no escritório do pai (o pastor da igreja), perguntando se ele poderia ficar com um passarinho que ele tinha achado quase morto.  Quanta inocência, amor, frieza, que antagonismo!  Filmado num belíssimo branco e preto que deixa tudo mais real, do jeito que é, A Fita Branca se passa num vilarejo da Alemanha em 1913, antes da Primeira Grande Guerra.  Uma sociedade onde a disfuncionalidade, a maldade, os atos pecamisos, a punição e a luxuria se misturam à rigidez com que as famílias criam os seus filhos (e são muitos!).  Daí o nome do filme, pois o pastor do vilarejo colocava uma fita branca no braço e cabelos dos filhos para lembrá-los da inocência que eles deviam preservar.  Era uma fita de humilhação para que todos soubessem que eles não haviam agido de maneira correta. 
Uma série de acontecimentos despertam a suspeita do professor do vilarejo, que decide investigar as causas.  A voz em off do professor, agora velho e relembrando os fatos que talvez poderiam explicar o hoje, se faz presente desde o começo do filme.  Uma voz rouca, cansada, talvez culpável, ou talvez não.  São os acontecimentos do vilarejo fruto de uma sociedade corrompida, reprimida, sofrida?  A história se passa antes das guerras que dizimaram os judeus no holocausto que ficou registrado como o pior da história.  Será A Fita Branca o prenúncio da estrela que os judeus usavam nos campos?  Serão essas crianças (as muitas que há na história) as que perpetuaram esses atos cruéis?  Seriam essas crianças programadas para continuar o que seus pais não tiveram capacidade de fazer?  Essas são as perguntas que me faço depois de assistir o filme.  São as perguntas que nos fazemos os que estamos preocupados com o mundo em que estamos vivendo.  Estamos fazendo o correto?  Estamos criando as crianças para construir ou destruir o futuro?
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