“People’s fantasies is what give them problems. If you didn’t have fantasies you wouldn’t have problems, because you’d just take whatever was there. But then you wouldn’t have romance, because romance is finding your fantasy in people that don’t have it.”
Andy Warhol, Mr. America.
 
Sexta-feira fui assistir a exposição do Andy Warhol, Mr. America, trazida diretamente do Andy Warhol Museum em Pittsburg.  Nada melhor que assistir Warhol na região da Luz, entre prostituas, mendigos, museus e escolas de música.  Surreal e ao mesmo tempo, tão real, tão POP.  O Warhol se sentia um peixe fora d’agua num país onde o consumo é cult e onde a glamourização das estrelas, os ícones, perde a realidade e chega a extravassar toda a lógica.  Isso o incomodava.  E ele retrucava…com arte, com estilo, jogando latas na cabeça das pessoas.  Dizendo, “olhem, isso que vocês chamam de glamour, também tem tristeza, dor”, sentimentos esses que não cabiam no imaginário dos mortais.  Ambiguidade, antagonismo, hiperexposição das coisas e pessoas, padronização, superficialidade.  O fim dos anos 50 e os 60 foi a época do desenfreno voraz, de consumir for the sake of it.  Vale a pena conferir essa exposição para ver todos aqueles quadros, serigrafias, autorretratos, o Nixon convertido em extraterrestre, Marilyn, Marlon Brando e muitos videos.  Uma visita não basta.  Vou voltar. 

 

The Andy Warhol Foundation for Visual Arts, Inc/Autvis
 

E já que estava dando uma olhada no representante da América, decidi que saber quem era o Hélio Oiticica.  Enquanto o Andy Warhol fazia das suas pela América, o Hélio também estava revolucionando e anarquizando as artes no Brasil.  Amante da desintelectualização da arte, a participação, a ação.  Para ele, a arte deveria ser sentida pelas pessoas que a viam.  Havia que participar.  Certa vez, escreveu: “A obra nasce de apenas um toque na matéria. Quero que a matéria de que é feita minha obra permaneça tal como é; o que a transforma em expressão é nada mais que um sopro: um sopro interior, de plenitude cósmica. Fora disso não há obra. Basta um toque, nada mais”.  A exposição Museu é o Mundo, em cartaz no Itaú Cultural, é um ótimo programa para quem já viu Mr. America.  

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