“I happen to hate New Year’s celebrations. Everybody desperate to have fun. Trying to celebrate in some pathetic little way. Celebrate what? A step closer to the grave? That’s why I can’t say enough times, whatever love you can get and give, whatever happiness you can filch or provide, every temporary measure of grace, whatever works. And don’t kid yourself. Because its by no means up to your own human ingenuity. A bigger part of your existence is luck, than you’d like to admit. Christ, you know the odds of your fathers one sperm from the billions, finding the single egg that made you. Don’t think about it, you’ll have a panic attack.”

Quem se não Woody Allen poderia escrever essas linhas? Tão real, tão prático, tão humano. O que fazemos nesse universo? Para onde nos dirigimos? Quem somos realmente? Quem queremos ser realmente? São os outros tão imbecis como aparentam ou eles só são parte do jogo da representação ridícula e constante que acontece na sociedade? Por que uns poucos conseguem sair desse buraco chamado sistema e viver a vida com o próprio modelo, feito de um collage de experiencias dos outros (ou próprias), sem idéias preconcebidas que tem demostrado ser o pior para o ser humano? O que importa na verdade? A felicidade, não é?
Sabe aqueles filmes que te falam direto ao coração? Whatever Works, o último trabalho de Woody Allen foi justo o que precisava ouvir para começar a semana de bom astral, como eu gosto. Sai do cinema ainda chorando de tanto que ri. Esse timing perfeito que Woody Allen tem para fazer todo mundo rir da própria desgraça ou da dos outros. Adoro!
Boris é um cara sessentão, sincero demais para ter amigos ou um verdadeiro amor, inteligente demais para poder ter qualquer relacionamento decente com os imbecis que habitam o universo. Solitário por opção, tem como filosofia de vida, Whatever Works. Ele não precisa de nada do mundo material e se contenta por viver a sua vida cheia de neuras, fazendo as mesmas coisas dia após dia, simplesmente, esperando o momento em que os seus órgãos vitais pararão de funcionar. Ai, ele conhece uma Lolita, de 21 anos…ok, não tão Lolita assim, que traz um pouco de normalidade à sua vida, com toda a ignorância e inocência que pode esperar-se de uma garota caipira que acaba de chegar à grande cidade. A partir dai, o relacionamento dos dois começa a ficar mais e mais interessante, com diálogos espetaculares e a fotografia de New York que Woody Allen sempre adora mostrar em seus filmes. Whatever works deveria ser assistido por todos aqueles que adoram filmes inteligentes, com diálogos que valem a pena ser ouvidos uma e outra vez. Definitivamente, dez estrelas!
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