Sou daquelas que antes de ver um filme, pergunta quem é o diretor.  Gosto de diretores e suas marcas que deixam nos filmes.  Esses diretores que têm algo para dizer, algo para passar aos que se dão ao trabalho de assistí-los.  Ah, e quanto mais difícil o nome, mais interesse!  Fatih Akin (Soul Kitchen), Gus Van Saint (My Own Private Idaho), Tarkovski (The Sacrifice), Chan Wook-Park (Oldboy), Karim Ainouz.  Desse último, sou indiscutivelmente NUMBER ONE FAN.  Brasileiro, nordestino do Ceará, e globalizado pelo mundo, inteligente, com um feeling sobre os temas contemporâneos da humanidade, Karim Ainouz foi correteirista com o Marcelo Gomes de Cinema, Aspirinas e Urubús, um dos filmes mais sinceros, belos e bem escritos sobre o que é ser estrangeiro no mundo de hoje.  Seu primeiro longa, Madame Satã, virou cult rapidamente.  Acho que ele já começou cult e isso poucos conseguem!  Dirigiu Alice para HBO e em 2009, codirigiu e foi corroteirista do filme que  hoje fui ver: Viajo porque Preciso, Volto porque te Amo.  Conta a história de um geólogo que sai pelo árido sertão do nordeste brasileiro para realizar uma pesquisa de campo nas terras que vão ser desapropriadas e que darão lugar a um canal que será construido para desviar um rio caudaloso da região.  É uma viagem solitária, que desvenda a solidão, o vazio e a tristeza de pessoas que habitam essa região e que aos poucos se revelam tão similares a ele.  Esse espaço árido dentro de nós.  Nesse road movie, contado em primeira pessoa, Karim Anouz e Marcelo Gomes nos fazem mergulhar numa tristeza esencial àqueles que sabem que para seguir adiante, é preciso chegar bem fundo e voltar revigorado e pronto para um novo começo.  Belo filme, bela fotografia, texto primoroso e bem cuidado e tudo contado em 71 minutos!
 
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