Sexta-Feira é dia de feira.  Donas de casa, empregadas, gente bonita, crianças, avós, todo mundo vai à feira desfrutar as delícias que esse país oferece em termos de frutas, verduras e cultura popular.  Ir à feira é mergulhar fundo na cultura brasileira, rir com os feirantes, experimentar novos sabores.  Mas hoje teve um ingrediente a mais: hoje o Brasil busca o primeiro lugar do grupo na Copa do Mundo da Africa do Sul.  Joga contra Portugal no meio da manhã.  Assim que sai percebi que tinha cometido um erro, não botei nada amarelo, nem verde.  Saí como se fosse um dia qualquer, mas hoje não é um dia qualquer.  Nas ruas, uma sensação de festa, de alegria geral, uma coisa assim como se o país estivesse sob os efeitos de alguma droga alegrista, para usar o termo instaurado por meu amigo Miró.  Era como se o Brasil tivesse parado no tempo e no espaço para curtir um dia sem problemas econômicos, um dia sem trabalho, um dia sem o estresse diário que acompanha essa cidade constantemente.  Vuvuzelas, camisas do Brasil, cachorrinhos com bonezinhos amarelos, mulheres com perucas verde-amarela, feirante vendendo banana amarela e verde, com decoração que daria inveja aos promotores de produtos nas gôndolas dos super.  Uma loucura!  Um feirante me disse: “E a tua camisa?  Sabia que não ter a camisa hoje dá multa?”  Melhor falar baixinho, porque do jeito que as coisas estão aqui, com os jogos da Copa sendo levados tão à sério, bem provável que algúm político esperto proponha multa para quem não estiver torcendo pelo Brasil e assim ganhar votos.  Eu até fico com pena daqueles que não curtem futebol.  Tudo fecha: bancos, lojas, padaria, açougue, banca de jornal, pet shop, cabelereiros, hospitais!  Que país é esse?  Que jogo é esse que provoca tanta paixão!?
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