Não sou muito de sonhar.  Me refiro a sonhar mesmo, enquanto durmo.  Paulo sempre acorda com esses sonhos espetaculares com começo, meio e fim, com significado e tal.  Que eu me lembre, meus sonhos são meio tolos, do tipo “sonhei que o Johnny Depp e eu estávamos nos beijando e de repente chegou a Vanessa”.  Sabe aqueles sonhos infantis?  Serão mesmo infantis ou há alguma explicação tipo “bem lá no fundo eu quero beijar alguém parecido com o Depp”.  Sei lá.  Nunca lembro de nenhum que realmente tenha tido algum significado premonitório, alguma coisa com simbologia capaz de descifrar o meu subconsciente.  Por outro lado, sempre fui atraída por histórias paralelas, realidade mais que real ou mágica, aquela que transita lado a lado com a do dia a dia.  Quem pode dizer se isto aqui não é uma realidade tipo a recriada brilhantemente no filme The Matrix?  Em que mundo estamos vivendo e quem são essas pessoas que vemos, tocamos, ouvimos?  Realidade, sonho, ficção.  Nesse mundo mais que surreal, sempre me pergunto se realmente isso está acontecendo.  Como pode ser possível que nesse século 21 ainda tem bilhões de pessoas morrendo de fome, gente que ainda não tem a mínima noção de sustentabilidade e consciência ecológica?  A literatura aborda esse tema com maestria.  Haruki Murakami conquistou meu coração por seu jeito surreal de escrever histórias que fundem o sonho com a imaginação e a realidade.  Kafka e Garcia Márquez também, entre outros.  No cinema, os Wachovski Bros. (The Matrix), Kubrik (2001), Terry Gilliam (Brazil), Kar Wai (2046) continuam a missão de fazer com que mentes inertes, com preguiça de pensar, assim como os que acreditam nessa possibilidade paralela de mundo comecem a meditar e a repensar esse mundo onde vivemos. 
Hoje é domingo, dia dos pais.  Perfeito para um cineminha na hora que estão todos os pais almoçando com as suas respectivas famílias.  Macarronada na casa da sogra e o sogro, almoço em restaurante, entrega de presentinhos comprados ontem no shopping, filhos e filhas obrigados a passar o dia com o paizão.  E lá fui eu à sessão de meio dia e vinte (thank God for this session!) assistir o novo filme de Christopher Nolan, Inception, com Leonardo DiCaprio.  Completamente A LU CI NAN TE, ou melhor IN SA NO.  Que história bem escrita, bem amarrada!  Que coisa boa ter o DiCaprio (para mim na sua melhor atuação EVER!), Ellen Page (Juno), Marion Cotillard (linda!!!!) e o sexy Ken Watanabe num mesmo filme que faz você passar por várias sensações, sem sair do assento.  Foram duas horas e meia hipnotizada pela trama, os efeitos especiais e a música de Hans Zimmer (outro gênio!).  DiCaprio é um talentoso ladrão de sonhos e idéias, que entra nos subconsciente das suas vítimas para descobrir os mais guardados segredos e assim usá-los ao seu favor.  Espionagem industrial ao estilo Sci-Fi.  A idéia de entrar nos sonhos, e depois, criar um sonho dentro do sonho, é o que faz desse filme uma obra maestra, talvez um clássico desde já.  No fim, fica a dúvida:  eu estava mesmo assistindo o filme?  DiCaprio realmente consiguiu seu objetivo ou tudo não passou de um sonho?  “Never recreate places from your memory. Always imagine new places!” É um filme para quem está acostumado a ir e vir entre as duas avenidas do real e do surreal.  Definitivamente um MUST SEE!
 
 
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