Uma festa como poucas!

As árvores da Mata Atlântica iam passando pela janela do carro.  Uma mata abundante em todos os tons de verde.  A curiosidade do sol era tanta que ele se assomava a través dos galhos, como conferindo quem estava chegando.  Eram nove horas da manhã e o ar fresco da montanha nos dava um abraço caloroso, uma bem vinda que só a natureza sabe.  Estávamos na montanha!  Incrível como dentro de uma das maiores cidades do mundo, pode-se encontrar uma floresta dessas a menos de 20 km do centro.  O contraste é grande. 

O cheiro do verde aguça todos os sentidos e a natureza começa a sua comunicação conosco.  Parece que estamos entrando em outra galáxia.  Não a de Haroldo, não a do Gutenberg.  Uma galáxia onde as samambaias são gigantes, onde as borboletas são de um amarelo intenso, uma galáxia onde os seres voam, correm, param, seguem, olham, cheiram, vivem. 

O que me vem à cabeça são muitas lembranças do meu querido país.  Essa distância tão ínfima que dividia a parte urbana da parte verde.  Em poucos minutos vai-se da cidade com os seus grandes prédios de vidro à mata, às praias, ao verde “que te quiero verde”, como dizia Federico García Lorca.  Eis a maravilha das viagens.  Fazem voar corpo e alma.

 Aqui, o limite que define a loucura dos sacos de cimento que há nessa paulicéia desvairada.  Meu amigo Miró me perguntou Quantos Sacos de Cimento Há em São Paulo.  Muitos!  Do outro lado, o verde que nos abraça e que nos dá as boas vindas à festa com ilustres convidados: passarinhos, jararacas, veados, preguiças, borboletas. 

Não poderia ter sido melhor.  Uma festa onde os convidados são os que recebem presentes.  Esse presente divino que é a natureza e todos os seus encantos.

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