Comecei a interessar-me em Ricardo Piglia com El Último Lector, um livro que fala sobre o ato de ler e o por que de ler.  Fato curioso esse, gostar de ler.  O que sentimos quando lemos?  Quem somos quando lemos?  Que pensamos quando lemos?  Amei essa reflexão sobre uma das coisas que mais prazer me dá nessa vida. 

Agora, estou lendo Piglia de novo.  Blanco Noturno é um romance, diferente da crónica-memória de El Último Lector.  Tem uma narrativa diferente, com um jingado bem ao estilo da brisa tropical do seu protagonista Tony Durán, um americano nascido em Porto Rico.  Logo de cara, imaginando o Tony moreno chegando numa branca cidade provinciana da Argentina, já fiquei interessada.  Só sendo moreno para saber como é ser o único num ambiente branco!  Ele se saiu muito bem, dandy do jeito que era, fez amizades fabulosas com mulheres fabulosas.  Até consiguiu entrar no exclusivo (leia-se “Só para brancos”) clube da cidade!  Pensar que nesse século ainda exista gente que não entendeu o conceito do mix, plural, etc.  Voltando ao livro Blanco Nocturno, posso dizer que está sendo divertido, prazeroso e uma aula de escrita.  Eu sempre querendo escrever como os grandes!  Sonho recurrente.  A história aborda assuntos familiares com todos os absurdos infernais que esse tema possa aguentar.  Famílias brigadas, traição, medos, preconceitos.  Temas inteligentes escritos por um dos melhores escritores da literatura contemporânea de língua espanhola. 

“Todo es según lo que sabemos antes de ver. – Renzi no entendía hacia dónde apuntaba el comisario-. Vemos las cosas según las interpretamos.  Lo llamamos previsión: saber de antemano, estar prevenidos.  Usted en el campo sigue el rastro de un ternero, ve las huellas en la tierra seca, sabe que el animal está cansado porque las marcas son livianas y se orienta porque los pájaros bajan a picotear en el rastro.  No puede buscar huellas al voleo, el rastreador debe primero saber lo que persigue: hombre, perro, puma.  Y después ver.  Lo mismo yo.  Hay que tener una base y luego hay que inferir y deducir.  Entonces -concluyó- uno ve lo que sabe y no puede ver si no sabe…descubrir es ver de otro modo lo que nadie ha percibido.  Ése es el asunto.  -Es raro, pensó Renzi, pero tiene razón-.”                                      Capítulo 9, Blanco Nocturno, Ricardo Piglia, Editorial Anagrama, Barcelona.

Há outro livro me esperando para ser devorado: Blind Willow, Sleeping Woman, de Haruki Murakami.  Esse autor tem se tornado uma verdadeira paixão para mim.  A sua narrativa, as idas e vindas, os personagens, as histórias, tudo uma verdadeira viagem existencial.  Adoro mergurlhar fundo!  Dele, já li The Wind-Up Bird Chronicle, que é uma obra prima, Kafka on the Shore (lindo!), South of the Border, West of the Sun.  Estou procurando A Wild Sheep Chase, mas parece que não está sendo vendido aqui.  Aproveitarei quma aluna vai para os States amanhã para comprá-lo lá.  Usarei os meus contatos para comprar o último dele IQ84, que será lançado dia 25 de outubro nos States também!  Não falei que era uma paixão?

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