Hoje é dia dos pais.  Dia daquele que às vezes está, outras não.  Dia do ser que colaborou doando os espermatozoides, doando uma pequena parte do seu tempo para atender os crios.  Dia do pai bom, do pai presente, do ausente.  Do provedor, do devedor, do pai que sabe que é pai e também daquele que precisa comprovante na mão e aquele que nem sabe que filho tem.  Hoje é dia dos pais.  Dia dos pais brasileiros.  O meu está nos States.  Pai carinhoso, engraçado, teimoso, pai.  Agradeço a ele muito do que tenho por personalidade.  Curioso como os pais deixam em nós traços da sua própria vida aprendida, frustrações de vidas passadas, o amor vivido ou o amor que eles desajariam ter vivido nas suas famílias mas que não tiveram.  Pai não é mãe.  E pais também não fazem curso de paternidade, nem aprendem com as suas mães, como nós meninas que somos presenteadas com bonecas para “aprender desde cedo”.  Pai é sozinho na vida.  Ninguém ensina. 

Não por acaso hoje fui assistir The Tree of Life (A Árvore da Vida).  Palm D’Or no festival de Cannes 2011, o belo filme da cabeça maluca do Terrence Malick é uma verdadeira viagem existencial, psicológica, espacial, celestial.  Um filme de ritmo lento, mas nem um pouco chato, é narrado, ou melhor,  sussurrado em off para contar a história da vida de sua família e seu crecimento como seres nesse mundo imperfeito.  Essa voz é a do bem sucedido arquiteto interpretado pelo gigante Sean Penn, tentando responder as questões da vida e da morte.  Parte de uma viagem pelo cosmos, uma viagem ao interior desse grande ponto de interrogação que é o próprio ser. Quem sou?  Onde estou?  Para onde vou?  As imagens psicodélicas que Malick nos põe na tela, nos levam a um mundo fantástico com formas, animais pre-históricos e o universo maravilhoso que nos lembra o pequeno que somos nesse grande espaço.  Lembranças do relacionamento com o pai extremadamente rígido, interpretado por outro grande, Brad Pitt.  Um pianista frustrado que teve que abandonar sua carreira para ter uma família e trabalhar como qualquer mortal.  Ódio e amor se fundem nesse relacionamento entre pai e filhos, uma dor que acompanhará o filho interpretado por Penn pelo resto da vida.  Sarar a dor, perdoar, refazer a vida nesse mundo injusto que também pode ser belo e cheio de esperança.  A trilha do filme feita por Alexandre Desplat é SU BLI ME!  É um filme de arte para quem gosta de devaneios e para quem gosta dos silêncios e os espaços no tempo. 

“There were two ways through life – the way of nature and the way of grace. You have to choose which one you’ll follow. Grace doesn’t try to please itself. Accepts being slighted, forgotten, disliked. Accepts insults and injuries. Nature only wants to please itself. Get others to please it too. Likes to lord it over them. To have its own way. It finds reasons to be unhappy when all the world is shining around it. And love is smiling through all things.”

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