Esse foi o slogan do movimento de contestação que começou nas ruas de Paris em 1968 e se alastrou por outros países.  Estudantes, intelectuais, artistas, sindicalistas.  Todos se perguntavam por que tanto consumismo selvagem, por que uma guerra fria, por que ter valores familiares tão obsoletos.  Nesse mundo convulcionado, uma mulher se destacou:  Simone de Beauvoir (1908-1986).  Francesa, filósofa, ensaísta, defensora do existencialismo e do feminismo e uma das mulheres que tem exercido grande influência na minha vida.  Companheira sentimental do igualmente gênio, Jean Paul Sartre, os dois tiveram grande responsabilidade na formação de um pensamento novo, um pensamento de liberdade onde não havia lugar para “tempos mortos”.

Após 43 anos de luta e de conquistas, nada melhor que relembrar e repensar essa necessidade de viver a vida sem esses entraves mortos, esses tempos mortos que, em vez de somar, restam tempo nas nossas vidas.  A peça Viver Sem Tempos Mortos está em cartaz para nos ajudar nessa viagem existencial da Simone.  Adaptação de Tête-a-Tête, a história da relação de Sartre e Beauvoir, Viver em Tempos Mortos é o maravilhoso monólogo estrelado por Fernanda Montenegro, ninguém melhor para viver esse ícone existencialista e revolucionário que foi Beauvoir.   Parecia que Fernanda era Simone, era a sua voz que nos contava a sua vida de adolescente burguesa, a sua paixão pelos livros, a descoberta de novas idéias, a paixão vivida com Sartre e com as artes, a sua descoberta do sexo.  É emocionante ver a Fernanda Montenegro no palco, com uma cadeira e uma luz tênue sobre ela, camisa branca e calça preta, tão simples como as idéias da Beauvoir.  Fernanda, uma mulher brasileira que também é uma espécie de deusa das artes cênicas, adaptando para o teatro a vida dessa mulher que foi e continua sendo referência de liberdade, de igualdade, de vida. 

Viver sem Tempos Mortos fica em cartaz no Teatro Raul Cortez (Rua Doutor Plínio Barreto, 285 – Bela Vista – São Paulo (SP) – Telefone: (11) 3254-1700) até 27 de novembro de 2011.  Vale muito a pena!

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