Os irmãos Dardenne, assim como os Cohen, são gênios idolatrados por mim.  La Promesse, Le Silence de Lorna, L’Enfant e agora Le Gamin au Vélo (O Garoto da bicicleta).  Ainda não vi Rosseta, mas está na minha lista.  Temas que fazem pensar nesse mundo contemporâneo cheio de defeitos, cheio de fragilidades.  São filmes que retratam jovens com problemas financeiros, imigrantes jogados no lixo das cidades, outsiders dessa sociedade consumista que ainda acreditam num melhor futuro.  Tudo isso filmado da maneira mais crua, sem maquiagem, muitas vezes sem música talvez para que adentremos nesse (sub)mundo que realmente existe ao nosso redor ou para que não desgrudemos as mãos da poltrona do cinema.  Foi assim hoje com Le Gamin au Vélo.  Belo retrato das carencias desse mundo, da luta de uns por conseguir um lugar, mesmo que pequeno, no coração de uma pessoa.  Cyril, o garoto protagonista (interpretado por Thomas Doret maravilhosamente!), mora num orfanato, e conta os dias para voltar a ver o seu pai (interpretado por Jérémie Renier, presença constante nos seus filmes).  O destino o coloca frente a frente com Samantha (Cécile De France), uma mulher que vai tirá-lo do orfanato e que vai se tornar o único nexo dele com o que resta de humano nessa sociedade sem perdão.  Os dois começam a busca pelo pai do Cyril até que este decide ser sincero e confessa que não quer se relacionar com ele, que o melhor era ele ficar com a sua salvadora.  Cyril precisa aprender a se virar sozinho nesse mundo.  Precisa aprender a confiar nas pessoas, precisa aprender a amar e se deixar amar.  O filme é realmente belo.  Inspirador.  A atuação do garoto é excepcional! Palm D’Or em Cannes e Palm D’Or no meu coração. 

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