O que conhecemos do Irã é o que lemos nos jornais e assistimos pela televisão. Loucuras do Almadinejad e os Ayatollahs.  Uma realidade tão distante de nós… Mas se o nosso olhar dependesse só desses dois meios, estariamos cometendo um grave erro.  O cinema iraniano é um dos mais sensíveis, artisticos e corajosos da atualidade.  Muitos diretores assim o consideram.  Abbas Kiarostami e Asghar Farhadi estão ai para nos provar que é verdade e nos oferecer o que de melhor há nesse país.  Um cinema que toca temas proibidos, temas que tratam sobre o que ninguém quer falar, com poucas palavras e muito significado.  Parecidos aos filmes de Michael Haneke (The White Ribbon e Cache-Hidden), com temas densos, fotografia e música bem comportada.

A Separação (A Separation) é o novo filme de Asghar Farhadi.  Um filme que te pega de surpresa pela atuação espetacular dos atores, que começam o filme como se estivessem conversando contigo.  Narração perfeita, história bem construida para explicar tramas da vida, de uma vida que todos conhecemos e que nos é tão familiar…A Separação é um filme duro, que questiona o papel das mulheres na sociedade (e não só o da sociedade iraní), questiona até que ponto a religião pode nos castigar, até que ponto uma verdade pode se tornar uma mentira e vice versa.  Sai do cinema com a sensação de querer saber mais sobre essa realidade, sobre esse país tão distante e ao mesmo tempo tão perto.  Isso é o que o bom cinema faz: abre as portas da percepção, desperta a curiosidade e nos faz querer construir um mundo melhor.

Advertisements