“…lamentou Antero de Quental, poeta e escritor português, ao analisar o cuadro desolador da metrópole e de sua vizinha, a Espanha, no século XVIII.  “Nos últimos dois séculos não produziu a Península um único homem superior, que se possa colocar ao lado dos grandes criadores da ciência moderna.  Não saiu da Península uma só das grandes descobertas intelectuais, que são a maior obra e a maior honra do espírito moderno.” Embora Quental tenha incluído a Espanha no rol do atraso, Portugal era, dos dois países, de longe o mais decadente e o mais avesso à modernização dos costumes e das idéias.

Os dois fatores combinados – a escassez de recursos demográficos e financeiros e o atraso nas idéias políticas e nos costumes – haviam transformado Portugal numa terra nostálgica, refém do passado e incapaz de enfrentar os desafios do futuro.  Era como um animal sedentário e obeso, com um coração enfraquecido, sem forças para irrigar todas as partes do corpo monumental…”

1808 – Capítulo 4 – O IMPÉRIO DECADENTE

Poxa, às vezes sinto que muitos ao meu redor se comportam como se fossem Portugal do século XVIII.  Nostálgicos por demasia, reféns do passado que insistem em conservar bem guardados nos seus corpos inertes e incapazes de enfrentar o futuro.  Compreendo que muitos de nós queiramos conservar essa nostalgia do passado, mas quando essa nostalgia está aliada à falta de novas idéias que te permitam viver na contemporaneidade, o resultado não pode ser outro que ficar só, recluído, chato e ranheta que, segundo o dicionário online de Português, é um adjetivo usado no Brasil para definir uma pessoa rabugenta, impertinente e manhosa.

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