Desde Raging Bull, Casino, Goodfellas, Taxi Driver, Aviator, Gangs of New York, Martin Scorsese tem sido para mim um Deus no Olimpo dos grandes diretores de filmes.  Essa paixão com que ele faz os filmes, com roteiros e produções de primeira, sempre demostrando o que todos os cinéfilos gostamos de ver: o respeito e a delicadeza da sétima arte transformados em sonhos.  O seu mais novo filme, Hugo, é um tributo ao cinema, uma viagem fantástica em 3D por esse sonho que faz da vida algo bem mais interessante e romántica.  Baseado no livro The Invention of Hugo Cabret, de Brian Selznick, Hugo é a história de um garoto órfão que mora na Gare Montparnasse, estação de trêm na Paris dos anos trinta e o seu fortuito encontro com o dono de uma loja de brinqueidos vintage dentro da estação.  Um tio bébado, que o havia “adotado” quando seu pai morreu, o deixou sozinho tomando conta dos relogios da estação.  Numa das primeiras cenas do filme, a câmara faz uma viagem fantástica (um travelling sem cortes) pela estação até chegar a uma panorâmica de Paris, bela, iluminada e mágica.  Pronto.  É o Scorsese mesmo!  Hugo ora lembra o Quasimodo do Hunchback of Notre Dame de Vitor Hugo e seus devaneios solitários na catedral de Notre Dame de Paris, ou mesmo o Edward Scissorhands de Tim Burton.  Um garoto solitário, carente, que tenta reviver o sonho do pai morto e cumprir o seu propósito nessa vida.  O dele, é consertar máquinas.  Fiquei pensando qual o meu propósito na vida. Talvez o meu seja consertar almas, ajudar os outros a serem mais felizes, mostrar que o amor e a arte valem a pena de serem experimentados.

O filme traz alguns mitos do cinema como Christopher Lee e Ben Kingsley,  inclusive o próprio Scorsese numa das cenas.  Também estão Jude Law, Sasha Baron Cohen, a linda Chloe Moretz (Let me in, 500 days of Summer e proximamente no Dark Shadows de Tim Burton!) e o protagonista dos belos olhos Asa Butterfield .  Produção de Johnny Depp (hello!), figurino que me fez querer ir correndo comprar botas e jackets, saias e tudo, Hugo é um filme bom para lembrar que os sonhos existem sim e eles podem ser vividos.

Maybe that’s why a broken machine always makes me a little sad, because it isn’t able to do what it was meant to do… Maybe it’s the same with people. If you lose your purpose… it’s like you’re broken.”  Hugo Cabret.

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