Gosto de diretores de cinema que não hesitam em fazer filmes que possam incomodar, chamar a atenção, gritar.  No meio desse mar de sangue sugada de vampiros ou alienígenas que vem destruir um planeta que já está sendo destruído pelos próprios habitantes, os diretores que realmente sacaram qual é a verdadeira importância da sétima arte, merecem os R$25.00 pagos sem carteira de estudante.   Não que eu concorde com o preço astronômico dos ingressos ao cinema, mas entre ir ao cinema assistir um filme que vai te fazer rir, chorar, gritar, pensar, e beber os R$25 de cerveja, eu fico com a primeira opção, mesmo porque tenho carteira de estudante e pago meia entrada, o que me abilita a beber o resto 🙂

Michael Haneke é um desses diretores, comprometidos com o que acontece com os seres que habitam o planeta.  Tarantino é outro.  Fui assistir Django (“with a silent D) Unchained e fiquei maravilhada com essa capacidade do Quentin Tarantino de fazer filmes sobre temas relevantes no mundo atual.  Filmar um Spaghetti Western, como ele mesmo chama o estilo, é no mínimo instigante.  Uma bonita história de amor, com texto inteligente, roteiro louco e atuação brilhante.  Para quem é fan de Tarantino como eu, o filme traz velhos conhecidos como Christoph Waltz, dessa vez num papel menos sinistro que o de Inglorious Bartards (onde ele estava ESPETACULAR) e Samuel L. Jackson ótimo como sempre (adoro como ele pronuncia “you motherfucker!”).

Django Unchained é um filme sobre o fatídico passado negro (e digo negro sem menosprezar a cor que adoro), 1858, época onde os negros eram tratados pior que porcos, onde eles não eram considerados humanos e que se acreditava veementemente que o cérebro deles tinha um quê a menos que o da raça “superior” branca.  Vergonhosa passagem da nossa história que faz pensar no baixo que o ser humano pode chegar.  Entre as cenas filmadas, o zoom das câmaras, a trilha espetacular, as piadas do nada, surge uma lição ou um “reminder” do que aconteceu no sul dos Estados Unidos e aqui no Brasil…algo que mudou o mundo para sempre e que acabou com uma raça tão valiosa como outras.  Eu fiquei pensando, como é que seria o mundo se nada disso tivesse acontecido?  Como seria se a escravidão não tivesse dissimado milhares de negros?  Como seria se os negros tivessem tido essa liberdade sempre e não tivessem tido que inventar propósitos para demostrar  o que valem?  O mundo estão tão podre, que talvez negros e brancos tivessem se juntado para dissimar outra “subraça” e teria sido tudo igual.

Django_Unchained_Poster

 

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